Arizona Tribune - Tribunal Constitucional da Coreia do Sul confirma impeachment do presidente Yoon

Tribunal Constitucional da Coreia do Sul confirma impeachment do presidente Yoon
Tribunal Constitucional da Coreia do Sul confirma impeachment do presidente Yoon / foto: Pedro Pardo - AFP

Tribunal Constitucional da Coreia do Sul confirma impeachment do presidente Yoon

O Tribunal Constitucional da Coreia do Sul validou nesta sexta-feira (4) o impeachment do presidente Yoon Suk Yeol por sua declaração de lei marcial em dezembro, medida que permaneceu válida por algumas horas e mergulhou o país em uma grave crise.

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A sentença implica a destituição definitiva de Yoon, que já estava suspenso de suas funções, e a convocação de eleições presidenciais antecipadas no prazo máximo de 60 dias na potência econômica asiática.

Apesar de ter durado apenas algumas horas, a interrupção da ordem civil e o envio do Exército à Assembleia Nacional na madrugada de 3 para 4 de dezembro perturbaram a política e a economia deste aliado chave dos Estados Unidos.

Um promotor de Justiça que virou estrela do país, o conservador Yoon foi suspenso por uma moção de destituição do Parlamento e passou quase dois meses detido por acusações de insurreição.

Seu destino estava nas mãos do Tribunal Constitucional, que tinha que decidir se ratificava ou não o impeachment aprovado pelos deputados.

"Pronunciamos o seguinte veredicto, com o acordo unânime dos juízes. Destituímos o presidente denunciado Yoon Suk Yeol", disse o magistrado principal da corte, Moon Hyung-bae.

- Traição à "confiança do povo" -

Em uma leitura contundente de 23 minutos, Moon argumentou que as ações de Yoon "violaram os princípios fundamentais do Estado de direito e do governo democrático".

Yoon "não se contentou em declarar a lei marcial, ele cometeu atos que violaram a Constituição e a lei, como mobilizar as forças militares e policiais para impedir que a Assembleia Nacional exercesse sua autoridade", acrescentou.

"Em resumo, os atos inconstitucionais e ilegais do acusado traem a confiança do povo e constituem uma grave violação da lei que não pode ser tolerada do ponto de vista da proteção da Constituição", afirmou.

O ex-presidente também é alvo de um processo penal por "insurreição", crime que pode ser punido com prisão perpétua ou pena de morte na Coreia do Sul.

Ao declarar lei marcial, Yoon justificou a medida com a ameaça representada pela Coreia do Norte, país vizinho beligerante e que possui armamento nuclear, e a presença de elementos antiestatais na Assembleia Nacional.

Os magistrados do Tribunal Constitucional, no entanto, consideraram que ele mobilizou as tropas "por motivos políticos" e provocou que "soldados que servem ao país com a missão de garantir a segurança nacional e defendê-lo enfrentassem cidadãos comuns".

A polícia organizou um dispositivo de alta segurança ao redor do tribunal, onde cidadãos contrários a Yoon celebraram a decisão com gritos e abraços.

Os cidadãos leais ao ex-presidente, reunidos ao redor de sua residência em Seul, reagiram com lamentos e insultos à decisão dos juízes. Alguns simpatizantes de Yoon concentrados em frente ao tribunal fizeram ameaças de morte, segundo correspondente da AFP.

- "Resistência da democracia" -

Yoon é o segundo presidente sul-coreano que sofre impeachment, depois da presidente Park Geun-hye em 2017. Após várias semanas de audiências tensas, os juízes deliberaram por mais de um mês até o anúncio da decisão.

O líder da oposição, Lee Jae-myung, comemorou a destituição de quem "destruiu a Constituição e ameaçou a população e a democracia com armas".

O partido de Yoon disse que "aceita solenemente e respeita humildemente a decisão do Tribunal Constitucional". "Apresentamos nossas sinceras desculpas à população", disse seu deputado Kwon Young-se.

Para Byunghwan Son, professor da Universidade George Mason, a decisão demonstra "em primeiro lugar, a resistência da democracia sul-coreana".

"O fato de o sistema não ter entrado em colapso sugere que a democracia sul-coreana pode sobreviver mesmo ao pior desafio contra ela: uma tentativa de golpe", acrescentou.

A lei marcial, uma medida incomum em mais de quatro décadas, provocou a lembrança da ditadura militar no país, que fez a transição para a democracia no final dos anos 1980.

H.Thompson--AT